
ESTAMOS TODOS passando por um momento ímpar. Jogaram em nossas faces a tristeza e a indignação. Algumas pessoas se questionavam o por quê, outras tentavam nem pensar nisso. Mas ali, na quadra da MUG, quando todos esperávamos…., pensamos juntos e choramos juntos também. Com raríssimas exceções.
Quando um sambista morre normalmente a dor da perda é tomada por lembranças magnânimas e sorrisos nostálgicos, e em se tratando de DUDU,…, muitas foram as lembranças felizes. Graças à Deus!!!
Cheguei à quadra às 14:00hs, então deu tempo de saber de tudo um pouco – de como ele era importante na vida dos amigos como foi essencial na minha vida e na vida no meu marido quando precisamos…. Colocamos as cadeiras do lado de fora e aos poucos os amigos iam se aglomerando e contando histórias de DUDU. Confesso que ontem tirei algumas lições pra minha vida. Ouvi muitas histórias e cheguei à varias conclusões…. Acho que a maior de todas é a importância em valorizarmos o outro, em respeitá-lo como ser humano acima de tudo e dar a devida importância à amizade.
Definitivamente hombridade vem de berço e diante dos mais antigos eu percebi que temos muito o que aprender. Ainda não somos nada gente! Aprendi também que tentaram perpetuar por tanto tempo a imagem de um sambista malandro, quando os exemplos são daqueles cujas simples palavras determinam a verdade da vida com precisão.
A quantidade de presentes só refletia o meu pensamento de que ele era muito querido. TODOS muito emocionados… e o momento só corroborava a verdade de que quando se faz o bem, se colhe amigos. E eles estavam lá, em corpo ou em alma…. estavam todos lá.
Definitivamente cada um reage de uma forma e pensar em julgamentos nessa hora iria ser absolutamente contra tudo que DUDU pregava. Alguns tomaram a cerveja amiga, outros soluçavam de tristeza… Eu mesma permeei dentre essas duas esferas várias vezes e quando acreditava estar forte, desabei.
Não há como determinar o grau de amizade de alguém, tão pouco o arrependimento de quem poderia ter algo pelo qual se arrepender… E no mais, nada o traria de volta. Ele já tinha ido.
A MUG iria fazer uma homenagem à DUDU por esses dias, no Botequim… Ele estava super animado e já tinha convidado muita gente pra participar. Verdade seja dita: Iríamos todos… E apesar de não ter acontecido a tempo, certamente a data marcada para a homenagem em tempo já tinha causado ao querido amigo a sensação de felicidade pelo reconhecimento há muito merecido. O bem já havia sido feito. Não haveria mágoas pra levar consigo… não havia mais.
(Nelson do Cavaquinho fez muitas pessoas pensarem ontem – ouça “Flores em Vida”)
Voltando pra casa, imensamente preocupada com a pressão do meu marido que resolveu subir em decorrência da emoção, eu fiquei pensando: Será que no enterro “deles” vai ter tanto amigo assim? Será que no meu vai ter? E no seu, será?
DUDU fez por onde e espalhou sua alegria aos que estavam ao seu redor. Perdemos alguém de grande valia, mas ficou o legado e a confirmação de que todas as tentativas de perpetuar a tristeza foram e serão em vão, porque eis que está provado que NADA é capaz de apagar a luz de quem foi pelos Deuses designado a brilhar.



Hoje fomos tomados por uma notícia terrível. DUDU DA MUG MORREU.